terça-feira, 17 de abril de 2012

Depoimento de uma prostituta


Sou uma prostituta assumida, daquelas que vende o corpo numa rua qualquer, encostada na fachada de uma esquina. Uso as roupas da censura forradas com etiquetas do pecado.
O freguês escolhe a ementa e eu sirvo qualquer prato, desde que ele seja pago em dinheiro.
Fiz desta vida a minha profissão, chamam-me de tudo, rameira, mulher da má vida mas é mesmo isso que sou. Ficava mais ofendida se me chamassem secretária ou senhora doutora, porque não o sou.
Já me habituei a ser tratada como escumalha, sem direitos, sem respeito nem razão sou apenas uma sombra na escuridão.
Quantas vezes já fui violada, espancada e as queixas que apresentei foram ignoradas na gaveta da indiferença, fui ainda chacota e enxovalhada por não mal conseguir falar direito de tanto ser penetrada, mutilada e desfigurada.
Não sou pessoa conceituada pertença de outra podridão, olharam para mim, mandaram-me preencher um papel com os meus dados pessoais. Ali naquele preciso momento tive a precessão que era mais insignificante do que um animal em extinção.
Fui apenas mais uma puta violada, porque quem vive nesta perversão de vida não merece mais nada!

Testemunho real de uma prostituta assumida, que muito me chocou.

Se esta “profissão” existe, é porque há bastante procura;
Não será a sociedade a mais culpada, a que mais censura?

Conceição Bernardino

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