terça-feira, 17 de abril de 2012

Depoimento de uma prostituta


Sou uma prostituta assumida, daquelas que vende o corpo numa rua qualquer, encostada na fachada de uma esquina. Uso as roupas da censura forradas com etiquetas do pecado.
O freguês escolhe a ementa e eu sirvo qualquer prato, desde que ele seja pago em dinheiro.
Fiz desta vida a minha profissão, chamam-me de tudo, rameira, mulher da má vida mas é mesmo isso que sou. Ficava mais ofendida se me chamassem secretária ou senhora doutora, porque não o sou.
Já me habituei a ser tratada como escumalha, sem direitos, sem respeito nem razão sou apenas uma sombra na escuridão.
Quantas vezes já fui violada, espancada e as queixas que apresentei foram ignoradas na gaveta da indiferença, fui ainda chacota e enxovalhada por não mal conseguir falar direito de tanto ser penetrada, mutilada e desfigurada.
Não sou pessoa conceituada pertença de outra podridão, olharam para mim, mandaram-me preencher um papel com os meus dados pessoais. Ali naquele preciso momento tive a precessão que era mais insignificante do que um animal em extinção.
Fui apenas mais uma puta violada, porque quem vive nesta perversão de vida não merece mais nada!

Testemunho real de uma prostituta assumida, que muito me chocou.

Se esta “profissão” existe, é porque há bastante procura;
Não será a sociedade a mais culpada, a que mais censura?

Conceição Bernardino

O universo femino ganha forma no Te-Atando

De mulheres amarguradas, traídas, abandonadas... à mulheres renovadas, ativas, resolvidas... somos todas muitas mulheres... somos muitas em uma só.

Na aula de hoje visitamos essa dualidade nos sentimentos femininos, encenando a mesma história em 2 versões. O poema "De cara lavada" de Martha Medeiros foi defendido pelo sofrimento da mulher que falhou em sua relação e pela força da mulher que superou o que passou. O mais importante ficou para o final. O encontro dessas duas mulheres, enquanto uma compreende o sofrimento da outra, esta vê a esperança de supera-lo naquela que a convida para juntas transformarem dor em vida. Vamos? Vamos!







Outros Momentos:





terça-feira, 10 de abril de 2012

Temas

1 - 3 fotos sem flash em local aberto, em momentos diferentes, mostrando diferentes intensidades de luz.

2- Trabalhar na poesia "mulheres no Espelho", com maquiagem ou gestos.

3- Trabalhar nos nossos textos.

4- Trazer mais textos.

O universo feminino à mostra

Começamos a aula com a leitura dos textos iniciada na aula anterior, colocamos o rapaz do grupo defendendo uma ode às mulheres e nós mulheres em ascensão.

Com a tarefa de adentrarmos no que há de mais feminino no mundo, hoje nos vestimos da poesia de Cecilia Meireles "mulheres no Espelho".

Começamos com um exercício com bolas que nos ajudou a manter nosso foco em nossos companheiros de cena, depois organizamos a leitura da poesia coletivamente.

O cenário foi composto de castiçais acesos e maquiagem.

Foi um belo momento, que dá um contorno a mais na montagem que estamos preparando para o 1º semestre de 2012.

Vamos lá meninas!!!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Hoje tivemos uma aula... com direito a roteiro de atividades, chocolates e tudo...
Precisamos fazer deste espaço das terças-feiras uma mistura entre o trocar e o aprender.

Venho aqui, então, registrar o tema para a próxima semana....

Além de continuarmos com o texto sobre o universo feminino, vamos tirar fotos de uma mesmo objeto em 3 momentos do dia: manhã, tarde e noite.

Estas fotos podem ser postadas aqui no blog ou apresentadas na próxima aula.

Até lá, então!

domingo, 1 de abril de 2012

Poesia Daniela


Fidelidade
por Patrícia Clemente

Você me pegunta se eu te amo e quanto
Eu digo: “sim, meu senho, mais do que tudo!”
E eu sei, meu doce amor, estou mentindo.
Mais do que a você, eu amo o sol, a vida,
Eu amo a luz, amo o amor que estou sentindo.

E quer saber se o amarei pra sempre
Eu digo: “Sim!” E sei que estou mentindo
Não sei se o amor dura para além deste momento
Um dia a mais, a eternidade, o tempo
Escoa lento, ao passo do infinito.
Pela manhã já nem sei o que hoje eu sinto.

E pergunta se a você somente
Eu amo agora e pelo resto da minha vida.
E digo: “sim!” e será que estou mentindo?
O amor é coisa vária, inconstante
Sem direção, sem freio, sem sentido.
Que me apaixona, assim, por um momento,
A voz que eu ouço, o braço que hoje eu sinto.

Mas você sempre pergunta se eu te amo
E eu digo: “sim”e, eu sei, não estou mentindo.
No aqui, do teu colo, quieta, aconchegada
És exclusivo, és absoluto, és infinito.

Textos de Martha Medeiros

Aos que não escolheram seus textos, visitem este link, tem coisas legais lá...


http://pensador.uol.com.br/mulheres_modernas_martha_medeiros/

POEMAS AOS HOMENS DO NOSSO TEMPO - Hilda Hilst

Que te devolvam a alma
Homem do nosso tempo.
Pede isso a Deus
Ou às coisas que acreditas
À terra, às águas, à noite
Desmedida,
Uiva se quiseres,
Ao teu próprio ventre
Se é ele quem comanda
A tua vida, não importa,
Pede à mulher
Àquela que foi noiva
À que se fez amiga,
Abre a tua boca, ulula
Pede à chuva
Ruge
Como se tivesses no peito
Uma enorme ferida
Escancara a tua boca
Regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA.